...olhar para o chão e dar-se conta de
que a cor do rejunte do piso da sala mudou de branco para
vermelho.
... passar 90% do dia recolhendo
brinquedos e, ainda por cima, mesmo sabendo que não adianta,
continuar fazendo o mesmo no dia seguinte.
... ficar sempre desconcertada e sem
resposta ao ouvir a pergunta depois do banho: “A gente vai
onde?” Quando está chovendo ainda tem desculpa, mas e quando
não está?
... só comprar roupa para mim quando a
situação está crítica, ou seja, surgiu um rasgo indisfarçável na
calça jeans ou a blusa preta já está cinza de tão
desbotada.
... nunca sair de salto alto na
promessa de que o dia delas, vai, inevitavelmente, terminar em
soninho no meu colo e do pai. E subir escadas de salto com 16
quilos nas costas...
... dançar todas as coreografias do
Hi-5, Xuxa, Aline Barros e de quebra, encarar um balé clássico
mesmo com mais de vinte quilos de bunda!
... fazer pose para Laís tirar foto
com minha calculadora quebrada e depois estampar um sorrisão ao
fingir que vê como ficou.
domingo 25 dezembro 2011 22:36
... ficar um tempão procurando de
onde vem o cheirinho de cocô e depois de horas, ver que alguém fez
caca no peniquinho, não disse nada, não pediu para limpar, ficou só
desfilando sem calcinha.
... esperar terminar o comercial do
desenho preferido para oferecer a próxima colher de comida e evitar
o chororô e as cuspidelas de praxe.
... jogar a calcinha fora depois de
mais um cocô nas calças.
... perguntar, depois do castigo:
“Você está sentada aí por quê? O que você fez de
errado?” e receber de resposta um: “Nada, eu não fiz
nada...”
... beliscar o almoço delas só para
o prato ficar vazio mais rápido.
... tomar banho a três,
deixando–as encher o box de panelinhas para distrair e dar
tempo de completar o meu mínimo ritual de beleza. E no final, tomar
o meu delicioso café de água de chuveiro.
... colocá-las para dormir cantando
samba e segurando na mão. O duro é perceber , às duas da manhã, que
acabei dormindo lá sem terminar tudo que eu tinha pra fazer depois
que elas pegassem no sono.
sexta 23 dezembro 2011 00:10
domingo 18 dezembro 2011 04:08
Definitivamente, ela não se contenta com pouco. Escova não só os
próprios dentes como também os da estante, do sofá, das paredes e
termina nos próprios cabelos, que três vezes ao dia ganham tranças
inimaginavelmente indestrutíveis. Hidratante ela também não
economiza. E na falta de um pote ao seu alcance, serve uma garrafa
de suco bem açucarado, que, já dissolvido, perde a função de
esfoliar para apenas deixar grudento o corpo todo. O sofá ou as
cadeiras assumem múltiplas funções: trampolim, folha para escrita
em Braille, pula-pula ou cabaninha quando está de capa. Porta de
vidro pode servir para bater com os pés, baquetas, mãos... pleno
instrumento musical de experimentação. Vassouras que não são
mágicas aguçam a tentativa de ganhar vento nas hélices do
ventilador ou, em momentos de calmaria, são apenas microfones e
pedestal de altura certa para uma cantoria em dupla. Aliás,
cantoria rima com correria, seu esporte preferido. Shopping, rua
movimentada, estacionamento, todo lugar é palco das suas
incansáveis maratonas, que incluem uma olhadinha para trás a fim de
conferir que estão tentando –inutilmente -lhe alcançar. Nesta
hora, risadas não lhe faltam, a gente é que não goza de tanto bom
humor nem de preparo físico suficiente. Ah, a arte! Também é o seu
forte: instalações quilométricas feitas de papel picado (higiênico
ou não) tomam toda a galeria de poucos cômodos; para desenhos em
giz de cera, caneta, batom ou pomada de assadura toda tela é pouca
e vai se espalhando: chão, parede nua, mesa, prateleira e estofado.
Eu já disse, ela não se contenta com pouco. Não há estante tão alta
que não seja escalável com o auxílio luxuoso de uma cadeira,
banqueta ou pufe. Remédios, pesticidas, amoníacos e perfumes,
escondam-se! Eu já disse e repito: ela não se contenta com pouco...
segunda 05 dezembro 2011 20:50
Depois da tempestade, vem a
bonança... Quinze dias em recuperação, e o diagnóstico foi
exatamente o mesmo de meses atrás: pneumonia na Ísis e sinusite na
Laís. Só que desta vez o antibiótico demorou a fazer efeito e ainda
persiste (mas pouco) uma tosse muito intensa, tipo da que já fez o
pai delas desmaiar algumas vezes. O meu medo aumenta, uma vez que
já vi acontecer com ele, pinta um desespero. À noite fica difícil
dormir... Os remédios de rotina já são muitos, em episódios deste
tipo dobram de número, inclusive as contas da farmácia, que sobem
assustadoramente!!! Hoje fez um solzinho, descemos pro parquinho.
Coitadas, estavam há quinze dias sem pôr a cara na rua...
quarta 02 novembro 2011 18:04
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